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Estudo mostra que oceanos apresentam sintomas de extinção em massa

Entre os sinais vermelhos estão o aquecimento das águas e sua acidificação, condições presentes em fases anteriores de extinções em massa sofridas pela Terra

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Em meio bilhão de anos, cinco extinções em massa foram registradas após calamidades naturais, durante as quais mais de 50% das espécies existentes desapareceram.

Paris – Submetidos a uma série de pressões, do aquecimento à pesca predatória, os oceanos apresentam sintomas preocupantes, presentes nas fases anteriores de extinções em massa sofridas pela Terra, advertiu um painel de especialistas em relatório apresentado nesta segunda-feira.

Depois de analisar os efeitos acumulados de todas essas pressões, 27 especialistas de seis países exibiram um quadro preocupante. As conclusões foram tiradas depois de uma reunião realizada em abril na Universidade de Oxford, cujo relatório é a síntese dos trabalhos. "Os resultados são chocantes", resume Alex Rogers, diretor científico do Programa Internacional sobre o Estado dos Oceanos (Ipso) que organizou o seminário junto com a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) e a Comissão Mundial das Áreas Protegidas (CMAP).

"Considerando-se o efeito cumulativo que a humanidade causou aos oceanos, chegamos à conclusão de que as consequências são bem mais graves do que cada um de nós acreditava", acrescentou. Esse painel científico concluiu que "a combinação das pressões exercidas criou condições que são encontradas em cada uma das extinções em massa de espécies da Terra anteriores".

Durante meio bilhão de anos, cinco extinções em massa foram registradas após calamidades naturais, durante as quais mais de 50% das espécies existentes desapareceram. Entre os sinais vermelhos estão o aquecimento dos oceanos e sua acidificação que causa a hipóxia (baixos níveis de oxigênio). "Eles constituem três fatores que são encontrados em cada uma das extinções em massa da história da Terra", indicaram os especialistas.

O painel ressalta que os níveis de carbono absorvidos pelos oceanos "já são bem mais elevados hoje do que na época da última extinção em massa das espécies marinhas, há cerca de 55 milhões de anos, quando mais de 50% de alguns grupos de animais de águas profundas foram exterminados". Os "oceanos do mundo inteiro correm o grande risco de entrar em uma fase de extinção das espécies marinhas", alertam. Globalmente, o relatório considera que "a velocidade e a taxa de degradação dos oceanos são bem mais rápidas do que tudo o que havia sido previsto".

Eles estão preocupados com a pesca predatória, que "causou uma redução de alguns recursos haliêuticos comerciais em mais de 90%", ou ainda o fluxo de nutrientes agrícolas "que já causou um declínio espetacular do estado dos oceanos". "Novas pesquisas sugerem que os poluentes, entre eles os retardadores de chamas químicas e os perfumes sintéticos encontrados nos detergentes, podem ser observados até nos mares polares", e até nos peixes, alertam.

O oceano é "o maior ecossistema da Terra, que mantém nosso mundo em condições suportáveis" para a vida, lembram os especialistas, que pedem "insistentemente a adoção urgente de um melhor sistema de administração do alto mar, ainda pouco protegido, mas que representa a maior parte dos oceanos do mundo inteiro".

http://exame.abril.com.br/economia/meio-ambiente-e-energia/noticias/estudo-mostra-que-oceanos-apresentam-sintomas-de-extincao-em-massa

Portugal – Sector nacional da água aposta na internacionalização

2011-01-26

A internacionalização do sector da água foi o tema da conferência que juntou no dia 26 de Janeiro a Ministra do Ambiente e do Ordenamento do Território, Dulce Álvaro Pássaro, e especialistas do sector com o objectivo de projectar internacionalmente as capacidades científicas, tecnológicas e empresariais do País na gestão dos recursos hídricos e dos serviços de água.

A conferência promovida pela Parceria Portuguesa para a Água (PPA), uma iniciativa do Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território, decorreu no Edifício de Serviços da AEP, em Leça da Palmeira.

A PPA baseia-se nas sinergias a desenvolver conjuntamente entre os vários agentes do sector, entre os quais as universidades, centros de investigação, associações profissionais do sector e administração pública na projecção da tecnologia e das soluções institucionais portuguesas para o exterior, catalisando oportunidades a nível internacional, num quadro de acção para o desenvolvimento de projectos sustentáveis.

Boletim 01

Dessalinização é a saída chinesa para a crise da água

Envolverde4 de janeiro de 2011 às 10:38h

Por Mitch Moxley, da IPS

Pequim, China, 4/1/2011 – Cientistas da China trabalham para desenvolver novas tecnologias de dessalinização que aliviem, nos próximos anos, a grave escassez de água que atinge todo o país. Apesar dos milhares de milhões de dólares investidos por Pequim em construção de represas e escavação de poços, fazendeiros no norte ainda precisam trabalhar duro em terra ressecada, enquanto centenas de cidadãos em todo o país sofrem falta de água e deterioração da qualidade dos recursos hídricos.

O déficit de água em Pequim logo estará entre 200 milhões e 300 milhões de metros cúbicos, segundo informes da imprensa estatal, enquanto a cidade espera que seja completado o Projeto de Transferência de Água do Sul para o Norte, no valor de US$ 62 bilhões, que causará o deslocamento de aproximadamente 330 mil pessoas.

O Banco Mundial alertou que a crise poderá provocar descontentamento e gerar atritos entre moradores das cidades e a população rural. Se não forem feitas profundas mudanças no uso da água, dezenas de milhões de chineses se converterão em refugiados ambientais na próxima década, alertou a instituição. Por outro lado, países asiáticos mais ao sul, como Birmânia, Laos, Camboja e Vietnã, afirmam que a agressiva política chinesa para construir represas no Rio Mekong priva de água seus cidadãos.

Para alguns, a resposta está na tecnologia de dessalinização. A China realiza pesquisas neste campo desde 1958, e em 1975 começou a testar seus primeiros artefatos. Em 1986, concluiu a fabricação de um dispositivo para dessalinizar água marinha mediante o processo de osmose reversa.

Tianjin, cidade costeira a 150 quilômetros de Pequim, representa a vanguarda nacional nesta tecnologia. Segundo o governo local, o Projeto de Dessalinização de Água Marinha de Dagang Xinquan é a “maior central da Ásia”. A “municipalidade desenvolve tecnologias de dessalinização desde 2000, e é considerada a mais confiável fonte de água para suprir as necessidades”, diz um informe realizado pelo Probe International, grupo ambientalista independente.

Wang Shichang, diretor do Centro de Tecnologias de Dessalinização da Universidade de Tianjin, informou que cientistas chineses trabalham em mais de 200 projetos e recebem apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia e da Fundação Nacional da Ciência, da China. O centro dirigido por Wang introduziu o primeiro artefato de destilação subita de efeito múltiplo, que realiza o processo canalizando a água para diferentes câmaras, reduzindo a pressão progressivamente. O vapor gerado é capturado e convertido em água doce.

A capacidade de dessalinização chinesa atingiu quase 200 mil toneladas em 2009, contra 30 mil em 2005. Segundo o atual plano de desenvolvimento do governo, poderá chegar a entre 800 mil e um milhão de toneladas até o final deste ano. No entanto, Wang lembra que isto não é suficiente. Afirmou que ainda representa uma grande brecha entre a capacidade inovadora da China e a de países do Norte industrializado. São necessários mais subsídios estatais e acesso a empréstimos bancários, afirmou.

Enquanto Wang trabalha para conseguir um uso mais sustentável da água, Tian Juncang, professor da Universidade de Ningxia, tenta reduzir o desperdício dos recursos hídricos na agricultura. O trabalho de Tian se concentra em aplicar sistemas de irrigação por gotejamento e aspersão, maximizando a efetividade dos fertilizantes. Ele assegura que desta forma o uso de água pode ser reduzido em 50%.

A indústria agrícola chinesa atualmente emprega 70% de todos os recursos hídricos do país, e grande parte é desperdiçada, disse Tian. “A indústria agrícola da China enfrenta grandes desafios”, afirmou à IPS. Contudo, ao adotar a nova tecnologia, “a atual quantidade de água pode manter o dobro de terra cultivável”, acrescentou. Em 2007, o governo lançou um plano de 11 anos para promover a conservação da água, propondo metas detalhadas.

Tian afirmou que a conservação deve ser um esforço sistemático, com apoio e cooperação da indústria e da sociedade como um todo. Os esforços para preservar o recurso também exigirão maior financiamento do Estado, bem como de leis e regulações melhoradas, e infraestrutura avançada e melhor administrada, afirmou. “Os esforços de conservação da água foram fortalecidos nos últimos anos, mas ainda não é o suficiente”, ressaltou. Envolverde/IPS

http://www.linkedin.com/news?viewArticle=&articleID=330862906&gid=1417757&type=member&item=40599250&articleURL=http://www.cartacapital.com.br/carta-verde/dessalinizacao-e-a-saida-chinesa-para-a-crise-da-agua&urlhash=rMIT&goback=.gde_1417757_member_40599250

Crea-PE sedia reunião do GT São Francisco

06/01/11

Fotos: Dilma Moura

O grupo de trabalho para acompanhamento das obras de transposição das águas do rio São Francisco, o GT São Francisco, se reuniu nesta quinta-feira (06) na sede do Crea-PE para a segunda reunião da equipe. O encontro segue até amanhã (07) com visita ao Porto de Suape e demais empreendimentos do Pólo Industrial do Litoral Sul. O presidente do Crea-PE, José Mário Cavalcanti, foi o anfitrião do encontro que tem como tema principal o Projeto de Integração do Rio São Francisco com Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional.

O evento começou às 10h com a abertura realizada pelo presidente José Mário, que convocou para compor a mesa o coordenador do GT, José Edicardo Silveira Santos, do Crea-CE, e o secretário executivo de Recursos Hídricos e Energético de Pernambuco, o engenheiro civil José Almir Cirilo. Este último realizou uma palestra sobre Gestão de Recursos Hídricos no Estado de Pernambuco no Contexto do Projeto de Integração do Rio São Francisco. O secretário Cirilo fez um panorama histórico da gestão de águas do governo do Estado, desde a criação da secretaria de Desenvolvimento e Meio Ambiente, no governo de Miguel Arraes, em 1995. Segundo o secretário, o atual governo tem dado atenção especial ao assunto. “Foi criada mais recentemente a Agência Pernambucana de Águas e Climas (APAC). Agora em janeiro promoveremos um concurso para integrar profissionais que se dedicarão à gestão das águas em Pernambuco”, disse Cirilo.

Almir Cirilo mostrou, através de gráficos, a oferta e demanda de água no Estado. O secretário disse que o governo estabeleceu metas e que a água e esgoto serão prioridades. “É uma meta ousada, mas estabelecemos o compromisso de resolver o problema da água das cidades em oito anos e de esgotamento em 12 anos”, comentou. Desde 2007 foi criado um plano estratégico para orientar as ações com o que deveria ser feito, as possíveis soluções e o investimento, que chega à ordem de R$ 10 bilhões envolvendo o grande sistema de distribuição de água.

Esse desafio começou com a Região Metropolitana do Recife, que comporta 3,5 milhões de habitantes, com as obras do sistema Pirapama, aumentando 50% a oferta de água na RMR. Almir Cirilo revelou que as perdas são grandes e por isso o governo está investindo R$ 50 milhões para reduzir o prejuízo. “A perda de água fica em torno de 60%. Se não tivéssemos esses danos, não precisaríamos trazer mais água. Queremos chegar a um patamar razoável, em torno de 30%”, explicou.

Com uma palestra bastante voltada para as ações do governo do Estado, Almir Cirilo ainda apresentou imagens e gráficos sobre o Projeto de Integração da Bacia do São Francisco, a conclusão da Adutora do Oeste, que promoverá boas produções em regiões férteis. O secretário falou sobre as formas de envolver a sociedade no processo com a gestão de bacia, conselho gestor do reservatório, estimular o plantio de mata auxiliar, recuperação das nascentes, entre outras. Cirilo também abordou a revitalização de bacias hidrográficas do Capibaribe, Beberibe e Ipojuca, com recursos do Bird, Caixa Econômica e negociações em andamento com o BID, respectivamente. José Mário, presidente do Crea-PE comentou que o regional também está presente no controle das enchentes. “Junto ao Governo do Estado estamos realizando a avaliação de danos da Bacia do Una, mais precisamente na região de Palmares”, explicou o engenheiro. Ao final da palestra, o secretário Almir Cirilo recebeu um certificado pela participação e esclarecimentos na reunião do GT do São Francisco.

GT – O grupo de trabalho foi criado em uma reunião do Colégio de Presidentes no segundo semestre de 2010 com o objetivo de acompanhar os trabalhos que serão realizados nas obras da transposição do rio São Francisco. A primeira reunião do grupo aconteceu em novembro do ano passado em Fortaleza, onde se localiza a coordenação do GT, coordenada por José Edicardo Silveira Santos, do Crea-CE. Participam do grupo, representantes dos Estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Sergipe. Em Pernambuco, os responsáveis pela coordenação no Estado são: José Geraldo e Paulo Dutra.

Vanessa Bahé

ASC Crea-PE

http://www.creape.org.br/web/crea-pe/pagina-inicial/-/asset_publisher/N9mO/content/314414?redirect=/web/crea-pe

FBC recebe missão de acelerar a transposição

Publicado em 06.01.2011

Ministro da Integração Nacional tem a primeira reunião com a presidente e recebe a orientação de solucionar as pendências do TCU que atrasam os trabalhos da Transposição do Rio São Francisco

Ayrton Maciel

amaciel@jc.com.br

O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho (FBC), despachou, ontem, pela primeira vez, com a presidente Dilma Rousseff, saindo do Palácio do Planalto com a orientação de agilizar as obras dos lotes 5, 8 e do ramal do Agreste da Transposição do São Francisco, todos em Pernambuco, solucionando as pendências do TCU que atrasam os trabalhos, e de garantir o cumprimento do cronograma de todo o projeto de transposição. Nesse sentido, o ministro recebeu a tarefa de reprogramar prazos para seis conjuntos de obras complementares que não foram concluídas e que têm de estar prontas antes do término da transposição. FBC revelou, também, que a presidente Dilma autorizou a criação da Secretaria Nacional de Irrigação e confirmou a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf) como a futura operadora do Canal da Transposição. “Vamos procurar organismos internacionais para definir o modelo de gestão. Na próxima terça-feira (11/1), receberemos um diretor do Banco Mundial”, informou.

Ocupando um ministério que tem a pecha de só existir para resolver “as questões nordestinas”, FBC descartou a possibilidade de vir a enfrentar “a ciumeira” dos governadores da região, pelo fato de ser pernambucano e o Estado viver uma grande agenda de investimentos, deixada pelo governo Lula. “A presença de cinco governadores nordestinos quando assumi o cargo, inclusive um da oposição (Teotônio Vilela Filho, PSDB/AL), é uma sinalização de que haverá a união dos Estados. Vamos ampliar os investimentos e viabilizar os programas (na região). Temos capacidade de captar recursos internacionais, mas o que falta é projeto. Precisamos investir em projetos. A perspectiva é de dez anos de desenvolvimento econômico sustentável no País”, ressaltou Bezerra Coelho.

No primeiro despacho com Dilma, o ministro deu o primeiro sinal de reposicionamento do Ministério da Integração para um perfil nacional. FBC levou um balanço das chuvas no Sul e Sudeste e fará a sua primeira viagem amanhã. “A presidente me autorizou a ir ao Espírito Santo, onde há 33 cidades com desabrigados. Estamos atentos também às chuvas em São Paulo, Minas e no Rio.”

No balanço do andamento da Ferrovia Transnordestina, assegurou à presidente que as obras estão em bom ritmo. “Pelo cronograma, há necessidade do depósito de recursos na conta da concessionária até março. Vamos providenciar a liberação de recursos do Orçamento da União”, adiantou. Segundo FBC, Dilma pediu para resolver, ainda, a equação da Sudene: a viabilidade econômica da conversão das debêntures em ações.

FBC saiu da reunião comemorando, também, a concordância de Dilma com a proposta de criação da Secretaria Nacional de Irrigação. “Ela quer dobrar a área irrigada no País. Temos 4,5 milhões de hectares irrigados, 90% são privados. O potencial do Brasil é de 29 milhões. Queremos em quatro anos ter nove milhões de hectares irrigados”, disse o ministro.

http://jc3.uol.com.br/jornal/2011/01/06/not_407052.php

Vidas secas

Vidas secas

A aridez econômica do sertão nem sempre está ligada à falta de torneiras, canos e ligações para receber água. Às vezes, as conexões para ter o abastecimento dentro de casa e das empresas estão lá. E a água não vem. A Adutora do Agreste, maior complemento da Transposição do São Francisco, beneficiará 2 milhões de pessoas e garantirá o fornecimento diário às casas, lojinhas, bares, hotéis, restaurantes e salões de beleza.

A Adutora do Agreste, maior complemento da Transposição do São Francisco, beneficiará 2 milhões de pessoas e garantirá o fornecimento diário às casas, lojinhas, bares, hotéis, restaurantes e salões de beleza.

"Claro que a adutora trará desenvolvimento econômico também. A finalidade dela, basicamente, é sobrevivência. São municípios que nunca tiveram um mínimo de garantia de abastecimento de água", explica o secretário-executivo de Recursos Hídricos de Pernambuco, José Almir Cirilo.

O próprio Cirilo tem forte, na memória, as lembranças da escassez. "Sou de Caruaru, onde esse problema (de abastecimento irregular) já foi resolvido. Lembro que, na minha infância, tinha uma fábrica da Coca-Cola na cidade. Ela acabou por falta de água. Caruaru chegou a ponto de ter um dia de abastecimento e ficar 30 dias sem água. Então, tem a questão do desenvolvimento e o drama das pessoas", relata Cirilo.

Por ser uma obra gigantesca, com 1.100 quilômetros, a Adutora do Agreste será construída em três etapas. Quando começar a funcionar, serão 5 mil litros por segundo de vazão. Até 2020, esse volume subirá para 7.500 litros por segundo.

Os primeiros sertanejos serão beneficiados em 2012. Mas a adutora se ramificará bastante, o que significa um grande horizonte de obras.

"As pontas de linha, as ramificações, vão demorar cinco anos para acontecer", conta Cirilo.

É proibido terra fértil

O casal de aposentados Maria Alves de Jesus Silva, 62 anos, e Francisco Hortêncio da Silva, 74 anos, vive em Trindade, no Sertão do Araripe. Recebe água em casa. Mas o abastecimento da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) hoje não tem vazão suficiente para suportar seu uso na agricultura. Os dois não podem manter um canteiro em uma das áreas mais férteis de Pernambuco.

Já existem vários estudos indicando a riqueza daquelas terras sertanejas. Tanto que há 15 anos se discute o Canal do Sertão, uma outra megaobra que percorreria 17 municípios e irrigaria 200 mil hectares, criando uma nova fronteira agrícola na área, com a plantação de cana de açúcar. Em 2007, a Petrobras e a japonesa Mitsui assinaram um memorando de entendimentos para produzir etanol na área. No entanto nada disso andou.

"Nessa terra aqui, dá tudo o que se planta. Uma vez, nas chuvas, plantamos cana que chegou a quatro metros de altura. Parece mentira, mas eu queria que o senhor visse", garante Maria de Jesus.

O problema da região é que chove muito pouco. "Só tenho três pés de coco em que eu coloco água um por um. Uma vez, aproveitei as chuvas e plantei sessenta bananeiras. Depois que a chuva parou, perdi tudinho", lamenta Maria. Ela queima o que sobra das plantas mortas. E recomeça o ciclo de plantação.

Maria diz que já foi até ameaçada com prisão por um funcionário da Compesa. "A gente não pode usar a água de casa para plantar. Mas aí teve um vazamento em um cano. A água ficou sobrando por seis meses. Aproveitei e fiz um canteirinho perto, botei coentro e alface. Quando o rapaz da Compesa finalmente veio, disse que a gente tinha quebrado o cano e disse até que ia chamar a polícia", relata.

"Meu marido teve um derrame e não pode ajudar mais. Anda com dificuldade. Eu também já estou com idade, né? Mas o que a gente plantava antigamente era feijão. Tinha mandioca, que a gente fazia farinha para guardar. Torradinha, ela dura até um ano. Guardava tudo em vasos. E vendia aos pouquinhos", lembra dona Maria.

Seu Hortêncio e dona Maria se conheceram em um baile, como se chamavam os shows antigamente. Isso foi há 40 anos. Levaram oito anos para conseguir casar. O problema era o dinheiro curto, que não sustentaria uma família. De uma infelicidade na família, o espólio do pai de Hortêncio, vieram os dez hectares de terra onde o casal criou os seis filhos. Agora, são 11 netos. Três filhos do casal ainda moram na propriedade, em casas separadas.

despedida

Depois da longa conversa, a reportagem se despediu da família, que preparou uma surpresa enquanto a entrevista prosseguia. Ofereceu à equipe três pinhas, ainda verdes, da árvore que teima em resistir ao lado da casa deles.

Apesar do constrangimento em aceitar de graça algo de quem tem tão pouco para manter a si mesmo, no sertão é ofensa grave rejeitar presentes. Pensando bem, inclusive, mais valiosa do que as frutas em si foi a generosidade em dividir conosco a pequena prova daquela fertilidade confinada.

Araripina e a fábrica que não alimenta

A Maxx Amidos do Brasil está em construção desde 2007, a quase 700 quilômetros do Recife, no Sertão do Araripe, bem perto de Araripina. Deveria ter ficado pronta em dois anos. A obra atrasou e a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), que construiria uma ligação só para atender o novo cliente, esperou para ver. Mesmo assim, bem antes de pronta, a fábrica recebeu água na porta. O problema são os agricultores, futuros fornecedores da indústria: eles ainda não plantam mandioca, a matéria-prima da Maxx, em quantidade suficiente.

O consultor Aparecido Pianuci tem 57 anos. Ajudou a desenhar a fábrica desde os primeiros traços no papel. Veio do Paraná para o período de instalação da indústria. Com os atrasos, já ultrapassou quatro anos em Araripina e sabe que ficará mais um tempo na cidade.

"O projeto original previa o processamento de 600 toneladas por dia de féculas de mandioca. Mas, por falta de matéria-prima, até que a produção local consiga atender esse volume, a solução foi implantar um primeiro módulo para 200 toneladas por dia", explica o consultor.

O amido de mandioca tem amplo uso na indústria alimentícia. Pode ser utilizado em massas, salsichas e embutidos, entre muitos outros produtos.

Pianuci veio para cumprir seu papel de consultor. Com os atrasos, terminou colocando a mão na massa – não a que deriva da fécula da mandioca, mas no trabalho pesado, mesmo.

"Eu era construtor e não consigo ficar parado. Agora mesmo, quando vocês chegaram, eu estava trabalhando nas ligações de água e esgoto da fábrica", revela.

Os dois filhos de Pianuci estão no Paraná. Só a esposa veio com ele. O consultor se pergunta como abordar a mulher sobre o novo adiamento da volta para casa, esperada para este início de 2011.

"Até já nos comprometemos a entregar o apartamento alugado. Mas não vai ser desta vez. Vamos ficar por aqui pelo menos mais um ano", lamenta.

Em busca de areia e rochas

Desde os 18 anos, Edson Dias, 56, trabalha na construção civil e pesada. Muitas vezes, já atuou em outros estados e, com o tempo, se acostumou às grandes obras. Há pouco tempo, trabalhou no canteiro de construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Mas nunca abandonou sua cidade natal, Água Branca, município sertanejo de Alagoas. Hoje cruza a divisa de Pernambuco todos os dias para cumprir a rotina de serviço. Ocupa um dos quase mil empregados no lote 9 da Transposição do Rio São Francisco, entre Floresta e Petrolândia.

O trecho em que Dias trabalha, operando um trator, está a menos de 100 quilômetros de Água Branca. O lote, que tem 54 km de extensão, está a cargo do consórcio Camter/Egesa. Seguindo o traçado da Transposição, é o primeiro após os 5,6 km do canal de aproximação que o Exército está construindo para a captação de água no Reservatório de Itaparica, ponto zero do Eixo Leste.

Mesmo com uma disposição de andarilho e da rotina em busca de obras, quando está longe de casa Edson sempre espera a hora de voltar para a esposa, com quem se casou em 1971. E não pensa em abandonar Água Branca, onde criou seus quatro filhos. Está gostando de trabalhar perto de casa.

"Eu trabalhava na roça. Comecei na construção, de um canto para outro, e, desde 2000, eu saio no mundo para as obras", relata.

Ele sabe que o emprego vizinho do lar não é eterno. Faz parte da profissão. O pico de construção do lote 9 já passou. Eram 1.300 pessoas. Com o avanço das obras, começou a chamada desmobilização, com a demissão gradativa de pessoal porque as obras estão passando para uma etapa diferente.

"Estou há 90 dias aqui. Vou ficar ainda um tempo. Mas, quando terminarem as obras, só Deus sabe onde vai ser meu próximo trabalho", resume o operário.

Expediente

Giovanni Sandes
Produção, textos e vídeos

Priscila Buhr
Fotografia

Erika Simona
Sílvia Morais
Design, XHTML e CSS

Benira Maia
Edição Geral

Especial completo do JC Online “Nas águas do desenvolvimento” pode ser acessado por esse link – http://goo.gl/JSJPU

Equipamento potencializa estudos do clima

Publicado em 29.12.2010

CACHOEIRA PAULISTA (SP) – Já está funcionando o novo supercomputador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), capaz de realizar 258 trilhões de cálculos por segundo. Batizado de Tupã, o equipamento amplia em 50 vezes a capacidade do País no processamento de estudos climáticos, colocando o Brasil em destaque no cenário internacional.

Instalado em Cachoeira Paulista, a 206 km de São Paulo, o supercomputador vai permitir que setores como transporte e agricultura possam trabalhar com planejamento, uma vez que o sistema atual não tinha tanta precisão em relação a fenômenos extremos, como chuvas intensas, secas e geadas.

Segundo Gilvan Sampaio, pesquisador do Inpe, o novo sistema terá aplicação regional, atendendo toda a América do Sul, já que os centros de pesquisas climáticas do exterior não oferecem esse serviço. Para Carlos Henrique Cruz, diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o supercomputador “é o olhar global do ponto de vista dos brasileiros”.

O supercomputador vai atender pesquisas que envolvam oceanos, superfície terrestre e química da atmosfera. “Será possível analisar, por exemplo, a temperatura da superfície do mar, a espessura do gelo na Antártida”, explica Sampaio.

Um dos responsáveis pelo projeto, o pesquisador do Inpe Carlos Nobre diz que o Tupã era a infraestrutura que faltava para o Brasil em termos de pesquisa, já que o País sempre dependeu do exterior. “É fundamental para o planejamento estratégico em desenvolvimento sustentável.” Para Gilberto Câmara, diretor do Inpe, pela primeira vez o Brasil investiu recursos próprios, sem financiamento estrangeiro, com valor total de R$ 50 milhões, sendo R$ 35 milhões do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e R$ 15 milhões da Fapesp.

O contrato de convênio prevê a abertura de espaço para grupos de pesquisa, instituições e universidades integrantes da Rede Brasileira de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas (Rede Clima) utilizarem o supercomputador. “Precisamos ter instituições para usar todo o recurso disponível”, disse o diretor do Inpe, durante a solenidade oficial de inauguração do equipamento.

Estudos como a simulação de 200 anos estão programados para serem realizados até junho de 2011. Outras pesquisas mais sofisticadas, como análise do comportamento no fundo do mar, também deverão ocorrer no período.

Em termos comparativos, um segundo de trabalho do supercomputador equivale a duas horas e 45 minutos de processamento de um computador de uso pessoal.

Jornal do Commercio – Pernambuco – Brasil

Chuva para o semi-árido

Publicado em 28.12.2010

Segundo o Laboratório de Meteorologia de Pernambuco (Lamepe), precipitações deverão ficar dentro da normalidade, com possibilidade de ultrapassar média histórica para região no primeiro trimestre

As chuvas no semi-árido nordestino deverão ficar dentro da normalidade, com possibilidade de ultrapassar a média histórica para a região no primeiro trimestre de 2011. Foi o que verificou o Laboratório de Meteorologia de Pernambuco (Lamepe). Isso significa que as precipitações deverão atingir a marca entre 200 e 500 milímetros. O verão na região será marcado por períodos de seca e pancadas de chuvas. Pode até chover granizo no Sertão. A temperatura poderá chegar a 40ºC e a variação de temperatura no Estado num mesmo dia poderá ser maior que 10ºC.

O que está provocando tudo isso é o fenômeno la niña, o esfriamento das águas do Oceano Pacífico. “As chuvas só não serão mais intensas porque o Oceano Atlântico está com a temperatura controlada, o que acaba neutralizando os efeitos do la niña no Nordeste”, explicou a coordenadora do Lamepe, Francis Lacerda. De acordo com a meteorologista, não há como prever se as fortes chuvas no semi-árido irão provocar enchentes. “São fenômenos que se formam e se precipitam muito rápido. Conseguimos vê-los com apenas 24 horas de antecedência ou até menos tempo”, acrescentou.

Ainda segundo Francis Lacerda, as chuvas de granizo poderão ocorrer devido a um fenômeno chamado vórtice ciclônico. “As áreas atingidas pelo centro dele ficam quentes e abafadas e as bordas chuvosas. Dependendo de uma combinação de fatores, poderemos ter chuva de granizo no Nordeste”, disse. Francis explicou que, no último fim de semana, o litoral pernambucano encontrava-se no centro do fenômeno e, por isso, tivemos período quente e abafado. Normalmente, esses dias vêm seguidos de pancadas de chuva, como ocorreu há cerca de duas semanas no Recife.

O litoral e a zona da mata de Pernambuco também deverão registrar chuvas de normais a acima da média e temperaturas semelhantes. Os fatores de influência meteorológicas nessas áreas são os mesmos para o semi-árido.

» Acesse o Blog Ciência & Meio Ambiente
(com link para http://jc3.uol.com.br/blogs/blogcma/)

Brasil aposta em acordo sobre clima

Publicado em 11.12.2010

Para a delegação enviada a Cancún, é possível mudar a posição do Japão e da Rússia e estender para além de 2012 as normas do Protocolo de Kyoto

CANCÚN (México) – Os negociadores na conferência do clima das Nações Unidas, em Cancún, concordaram com uma proposta para superar os obstáculos que bloqueiam as reuniões, ou seja, a oposição de Japão e Rússia a estender para além de 2012 o Protocolo de Kyoto, informou ontem a delegação brasileira.

A solução encontrada por britânicos e brasileiros e que deve ser apresentada ao plenário é uma declaração “que reafirma a urgência das negociações serem concluídas para evitar um hiato entre o primeiro e o segundo período de compromisso de Kyoto”, afirmou o negociador brasileiro Luiz Alberto Figueiredo.

Japão e Rússia “aceitam essa linguagem, antes não a aceitavam”, ressaltou. “É uma linguagem positiva, que indica claramente um segundo período de compromissos” do protocolo de Kyoto, o único acordo legal que obriga os países ricos a reduzir suas emissões de gases de efeito estufa, acrescentou.

Japão e Rússia têm sido irredutíveis a aceitar se comprometer com uma extensão de Kyoto além de 2012 e, portanto, assumir novas metas de redução de emissões, por considerar que ele não inclui dois dos maiores emissores do planeta: os Estados Unidos, porque nunca o ratificaram, e a China, por não ser um país desenvolvido.

Ao mesmo tempo, um documento pode conter as promessas de controle de emissões apresentadas após a conferência de Copenhague, em 2009, por muitos países, incluindo os EUA e as nações em desenvolvimento.

“Tomaremos nota de um documento, no qual constam esses anúncios. Essa compilação não foi feita, será feita”, disse o brasileiro à imprensa. Figueiredo considerou esses compromissos “um passo à frente, se levarmos em conta que em Copenhague não houve nada sobre o segundo período do Protocolo de Kyoto”.

A Europa é a favor do prolongamento do Protocolo de Kyoto, mas o acordo permanece no ar com a ausência de Japão e Rússia. Os países em desenvolvimento, incluindo o Brasil, exigem um compromisso sobre a extensão de Kyoto para avançar nos acordos desta conferência, que estava prevista para terminar ontem.

GURU

Um famoso líder espiritual indiano pediu aos negociadores dos 194 países reunidos na conferência do clima da ONU que destinem os fundos multimilionários para a luta contra as mudanças climáticas para subsidiar o amor. Shri Shri 1008 Soham Babaji, um dos líderes de uma peregrinação ao Rio Ganges, viajou da caverna onde faz retiro, no Himalaia, ao balneário mexicano de Cancún para divulgar sua mensagem.

Vestido com um manto amarelo e com turbante da mesma cor e a credencial da ONU pendurada no pescoço, o guru questionou se a conferência realmente tratou dos assuntos que importam. “Estamos falando de mudanças climáticas. Mas o que acontece com o clima dentro de nós? E se subsidiássemos a essência do amor humano?”, propôs.

http://jc3.uol.com.br/jornal/2010/12/11/not_403984.php

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